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ondas suaves

Ondas Suaves não é nada mais que a tradução literal dos caracteres 宁波 (Ningbo). Uma pequena cidade costeira situada na província de Zhejiang, China.

ondas suaves

Ondas Suaves não é nada mais que a tradução literal dos caracteres 宁波 (Ningbo). Uma pequena cidade costeira situada na província de Zhejiang, China.

Os convidados que ai vêm.

As amizades vão-se construindo e aos poucos e poucos ficamos a conhecer melhor aqueles que ainda há bem pouco tempo tão "estranhos" nos pareciam. Já referi por mais que uma vez que por aqui encontramos gentes de todo o mundo, todo o tipo de culturas e todo o tipo de vidas. É com o tempo que se descobre as verdadeiras razões e motivações para embarcar nesta aventura, que é viver na China. China que para todos nós (estudantes internacionais), antes de embarcarmos, era o mais distante e dispare país que habitava nas nossas mentes.

Aqui nos cruzamos e aqui aprendemos que ao fim ao cabo " o outro" poderia ser perfeitamente " o meu compatriota". Para mim, está a ser uma experiência de aprendizagem constante. E não me refiro somente ao chinês e à China, mas acima de tudo aos "outros", ao "resto do mundo" não-ocidental. Por mais livros que se leiam ou noticias que se vejam, é ao criarmos amizades que descobrimos o que verdadeiramente se passa por lá. Algumas histórias já eu sei:

Desde o rapaz que "fugiu" do seu país por não acreditar que o alistamento obrigatório no exercito (bilhete que por muitas vezes é só de ida) não era uma opção de vida, e portanto, aqui ficará à espera por mais 25 anos para poder voltar a pisar a sua tão amada terra.

Outros, que por opção das famílias, numa ultima réstia de esperança, enviam o filho adolescente para longe das balas e bombas à espera do dia em que os governos se entendam e o filho possa voltar sem correr o risco de morrer numa guerra que não é deles.

Aqueles que ainda crianças, viram uma imagem na televisão e disseram: "um dia vou lá!". E aqui estão a viver o sonho e a desfrutar a conquista.

Quem acredita que na China está o futuro e arrisca tudo numa aventura, sem nunca olhar para trás.

Há também os que olham para trás, e ao ver fome e miséria, voltam a olhar em frente e lutam para algo mudar.

Os que escondem a sua nacionalidade, com receio de não serem entendidos ou bem aceites, por algo que nunca fizeram ou desejaram ter acontecido.

Aqueles que vivem numa constante sensação de revolta e impotência por estar longe de casa e nada poderem fazer para ajudar os seus, que de um momento para o outro vêm tudo mudar na sua vida. Alguns por disputas religiosas, outros governamentais.

E por ai adiante ...

Ao chocarmos com estas vidas, estas pessoas, apercebemos-nos que afinal de contas ainda temos muito por aprender nesta jornada.

Bem, tudo isto para vos dizer que gostava de partilhar com vocês, mais do que histórias de estudantes na China, histórias de amigos que aqui fiz e que não vivem num país à beira mar plantado. Problemáticas actuais, debatidas com quem sente na pele o que nós vemos pela televisão. Em grupos ou individualmente, falei abertamente e sem rodeios, daquilo que diariamente leio nos nossos noticiários mas que, por falta da visão do outro lado, acabo por não entender.

Comecei com isto do convidado faz muito tempo, e ficou-se pelo primeiro, mas agora voltarei e aqui fica a promessa de um convidado por semana (terças ou quartas). Entretanto continuarei com os posts habituais.

 

Abraço!