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ondas suaves

Ondas Suaves não é nada mais que a tradução literal dos caracteres 宁波 (Ningbo). Uma pequena cidade costeira situada na província de Zhejiang, China.

ondas suaves

Ondas Suaves não é nada mais que a tradução literal dos caracteres 宁波 (Ningbo). Uma pequena cidade costeira situada na província de Zhejiang, China.

A ilha de Gulangyu

O que fica entre a Republica Popular da China (China) e a Republica da China (Taiwan/ Ilha Formosa)? Perguntam vocês. E eu respondo, fica a ilha de Gulangyu.

 

Chegou a ser um enclave estrangeiro na China, agora é uma atracção turística para os chineses. Um dia não foi suficiente para absorver tudo o que aquela pequena ilha tem para dar, e apesar de me ter perdido algumas vezes (sou daqueles campeões que não precisa de mapas), consegui caminhar por uma grande parte dela.

 

Embarca-se de Xiamen e em poucos minutos estamos lá. São tantos os turistas (chineses) que foi difícil arranjar um lugarzinho no barco. Apesar dos contra-tempos, lá embarquei. A ilha de Gulangyu é uma espécie de limbo entre a China e Taiwan. Nunca fui a Taiwan, mas arrisco dizer que os edifícios daquela ilha são tal e qual os da Formosa. Bem, pelo menos não são chineses. Calçada, ruas repletas de cheiros e fumos, edifícios bem ao estilo ocidental do sec. XIX (muitos ao abandono), praias e paisagens lindas. Entrar em Gulangyu é entrar numa outra China, logo quando eu pensava que a China não me podia surpreender muito mais (mentira).

 

Algumas fotos:

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Lá ao fundo fica outra ilha, a de Xiamen.

2.jpgSinto uma certa paixão por estas ruas, são cheiros de comida por todos os lados, habitantes e turistas chocam entre si em ruas estreitas a apinhar de gente. Uns na azáfa, outros no relax. E não podia faltar um belo toldo da coca-cola.

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Neste túnel quase fui atropelado por um senhor que andava a mil, apesar de carregar uma bela quantidade de pedras de calçada. Todo o túnel tem assinaturas de quem por ali passa, peguei da minha caneta e escrevi algures "João - Portugal". É procurar.

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Descrição do principal turista na China: ser chinês.

5.jpgOutra vez aqui?! A sorte é ser uma ilha. Olha, aquela parecia uma das minhas professoras, mas não era. Isto acontece-me muito por aqui.

6.jpgSentadinho a captar o lusco fusco.

7.jpgAdivinhem o que se come numa ilha...

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Olhar para uma rua que tens de subir mas está cheia de gente, podia bem ser o bairro alto.

9.jpgServidos? A ostra estava a 1€ cada.

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 A senhora topou que eu lhe ia tirar uma foto com vista para Xiamen e desviou logo a cara.

 Amanhã há mais. Abraços!

Wuzhen, a Veneza asiática.

Não me recordo bem quando, mas num certa dia deparei-me com esta notícia:

http://greensavers.sapo.pt/2014/11/24/wuzhen-uma-cidade-rio-chinesa-com-fotos/

Fiquei curioso e ao pesquisar reparei que a cidade até que nem fica longe de Ningbo (nos parâmetros chineses claro). Ontem resolvi lá ir dar uma espreitada, só para ver se o que eles diziam sempre era verdade. Antes de mais, deixem-me mostrar-vos um pouco daquilo que li na notícia:

" Localizada bem no centro de seis cidades antigas a sul do rio Yangtze, na China, a cidade-rio de Wuzhen é uma das maiores atracções da região, devido às suas pontes de pedra, caminhos aquáticos e esculturas de madeira.

Com 12 mil habitantes permanentes e uma população flutuante – literalmente! – de 60 mil pessoas, Wuzhen estende-se por dois quilómetros e encontra-se dividida em seis bairros: o dos artesãos, o das habitações, o da cultura, o da alimentação e bebidas; o das lojas e o da água.

Numa altura em que as cidades chinesas são notícia pela poluição, pela grande quantidade de prédios e edifícios de habitação sem proprietários e pela “cópia” de cidades ocidentais, não deixa de ser reconfortante perceber que existe outra China (...)."

Ao sair para qualquer lado aqui na China corre-se sempre o risco (para nós estrangeiros) de entrar numa aventura, não bastando isso, decidi pela primeira vez desde que aqui estou, planear sozinho e por completo uma viagem turística. Afinal de contas já sei o suficiente para não me perder, apesar de por vezes não ser fácil. O itinerário não se adivinhava fácil e fez-se da seguinte maneira: autocarro (30 min) - comboio (1h40) - autocarro (1h) - autocarro (10 min) e pronto, chegámos ao destino.

Wuzhen em si é mais uma cidade chinesa como todas as outras, no entanto, tem uma espécie de dois parques temáticos no seu interior, a vila-rio Este e a vila-rio Oeste, para entrar nestas vilas-rio primeiro tem de se pagar (como tudo na China) e depois temos o privilégio de entrar numa outra realidade, num local que ficou parado no tempo e que reproduz da forma mais fiel possível aquilo que foi a China à 7 mil anos atrás. Como é óbvio está totalmente turistificado: lojas de lembranças, museus, restaurantes típicos e pois claro, as atracões paisagísticas. Não me parece de forma nenhuma que alguém viva por lá, a não ser os turistas dos hotéis (com preços altamente exorbitantes, no mínimo uns 150€ por noite) que se situam dentro desta zona. É por tudo isso que eu lhe chamei de "parque temático". Contudo, não poderei de forma alguma desvalorizar este local, pelo contrário, é magnifico.  

Na vila-rio aconteceu-me algo no mínimo caricato. Não interessa a situação, mas falei chinês com um chinês e ele surpreendido, chamou a mulher para tirar uma foto comigo (estávamos sentados numa ponte)... depois foi a vez dos seus amigos, e depois de alguém que ia a passar e dei por mim sentado no mesmo sitio quase uns dez minutos enquanto as pessoas iam rodando para tirar fotos .. agora a parte chocante, havia uma pequena fila para o efeito. Nisto, alguém me diz "Devias pedir dinheiro.", eu respondi que queria 5yuans por foto (quase 1€), houve muitos risos mas foi a solução para me ir embora dali. Parece divertido, mas não é. Estava a meio da visita e não tinha tempo para visitar tudo o que queria (como nos acontece em qualquer parque temático), eu bem era simpático para as pessoas, mas depois da quinta foto sentia-me que nem um objecto, uma estátua. Senti o que é invadirem-te a privacidade. Rodeado de gente e sei saber o que fazer, começou na diversão e acabou quase em pânico. Mas tudo isso só por seres estrangeiro e arranhares (pouco) no chinês? Parece que sim. Até porque não vi mais estrangeiros enquanto lá andei. Enfim, os verdadeiros famosos podem ficar descansados que depois desta não lhes peço para tirar fotos. Já agora, não fiquei com nenhuma foto.

Fiquem agora com a beleza de Wuzhen, desta vez com muitas fotos tiradas por mim, mas com a infelicidade da qualidade do telemóvel.

 

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 Abraços!

 

 

10?! Já?!

10 meses e pronto, já está malta.

Acabaram-se as aulas e começaram as despedidas, as malditas despedidas. Não sabia que odiava tanto despedidas, uma coisa é dizer adeus e saber que mais cedo ou mais tarde (mas que certamente) nos voltaremos a ver, outra coisa, é dizer ...  adeus.

"Voltaremos a ver-nos" é sempre a última frase e diz-se com sinceridade, com um olhar determinado e uma convicção de quem não tem dúvidas do que nos reserva o futuro, mas o que é isso se não o rejeitar da verdade dura e crua? Abanamos a cabeça que nem crianças a chorar enquanto se grita "não quero, não quero!", aquela inocência de criança, não é? 

Ainda não me despeço de vocês porque ainda há mais para vir deste cantinho, ainda não me despeço da China porque dessa nunca me despedirei. Mas despeço-me desta China, desta que partilhei com estas pessoas, únicas, marcantes. Partilharemos todos esta pequena cicatriz que dificilmente sará... experienciar a China. E quem a viveu sabe bem do que falo.

O meu caso é diferente do deles, o meu negócio estava feito e ainda nem tinha chegado, um ano lectivo, nem mais nem menos. Eles são alunos de licenciaturas ou mestrados, trabalhadores de pequenos ou grandes negócios. Eu não. E é por isso mesmo que eles se revoltam, comigo claro, não entendem porque raio tenho de ir. E é por isso mesmo que eu lhes chamo de amigos, porque afinal de contas a despedida só custa se assim for. É o meu factor "especial" que os fez querer dizer um "até já", também especial. Jantares e festas com abraços e sorrisos, muitos sorrisos e nunca lágrimas, porque o sentimento que perdurará é de felicidade, felicidade por nos termos cruzado e a felicidade traduz-se em sorrisos, não é?. Não há coincidências, estes laços não podem ser reduzidos a uma mera coincidência, porque foram construídos e fortificados numa experiência ímpar.

E vocês que têm lido o pouco que partilhei, os assíduos e os que vagueiam, também têm direito a ver as caras daqueles a quem me prenuncio. Lá uma coisa é verdade, "quem vê caras, não vê corações", e que corações estes.

 

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Fotos de algumas despedidas, mais estão para vir. Como se costuma dizer "ainda tenho os últimos cartuchos para gastar" pela China, portanto .. não percam o próximo episódio, porque eu, também não!

Abraço!

 

#concurso fotografia e mais tufões

E o vencedor daquela brincadeira das fotos foi o Bugra (lê-se Bura), da Turquia. Vizinho e um grande amigo, o Bugra está na China faz dois anos e vai ficar por cá pelo menos mais dois. Como prometido, teve direito a um pequeno prémio. Ofereci-lhe uma garrafa vinho, infelizmente não há vinhos portugueses por Ningbo, como tal, foi um vinho espanhol (eu sei, eu sei ... mas entre espanhol e francês venha o diabo e escolha).

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 Em baixo, a foto vencedora:

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Obrigado a todos que votaram.

Entretanto, não podia deixar passar as últimas notícias que vi sobre a China nos jornais portugueses: "Pânico na China". Apesar da notícia se referir à economia chinesa, não deixa de estar errada de todo, o sul da China está em pânico sim, mas porque estamos à espera de dois tufões gigantes e uma tempestade tropical. As temperaturas na minha região são as mais negativas dos últimos 145 anos (sim 145) e chove que se farta quando devia estar a beber água de coco debaixo de uma palmeira.

Tufão Chan-hom: O maior das três tempestades, espera-se que chegue ao sul da China esta sexta-feira e que atinja Wenzhou e suba para Shanghai, Ningbo fica no meio.

Tufão Nangka: está a evoluir para a categoria de "super tufão", no entanto, espera-se que se desvie da costa chinesa e vá visitar os japoneses (assim esperemos).

Tempestade tropical Linfa: já atingiu as Filipinas e está a direccionar-se para as províncias de Fujian (onde já foram deslocadas pessoas) e Guangdong. Parece que desta estou safo.

Com isto, parece que já tirei um curso em tufões, não tirei mas quase. Continuo a achar que isto é a China a chorar a minha partida e os tufões é só uma desculpa esfarrapada, mas pronto.

Abraços e como se diz por aqui ultimamente "mantém-te seco"!

Ramadão

O mês passado, um dos meus amigos pregou-me uma partida. "Olha, vamos ali jantar com a rapaziada a um restaurante novo que abriu no bairro, que me dizes?" - "Está bem.", respondi sem duvidar e entusiasmado com a possibilidade do novo restaurante me dar uma folga da minha dieta diária.

"Atrás do bloco D? Mas isso aí não tem nada!" - disse-lhe

Virei a esquina e encontrei isto:

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"Oh Hassan, isto é tudo muito bonito mas eu não sou muçulmano. Sabes tu e sabem eles." Ele riu-se e respondeu: "Então e qual é o mal? Somos todos amigos."

Ainda antes de pensar duas vezes, já estava a ser empurrado por outros dois. Lá me sentei no chão de pernas cruzadas a comer de um tabuleiro, com pessoas que por acaso nunca antes tinha visto. Dois rapazes da Nigéria, um do Bangladesh e um Indiano. "Turco?" perguntaram (estava com a barba por fazer, compreende-se). "Não ... português." Cheios de curiosidade lá perguntaram "Muçulmano?" Olhei para os lados e baixinho lá respondi "Não." Bem, estranhamente a reacção foram uns sorrisos de contentamento. Lá iam contando aos que passavam "Olha, este não é muçulmano!" e todos eles, sem excepção, sorriam amavelmente e cumprimentavam enquanto me davam as boas vindas.

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Muito timidamente lá ia comendo (estava surpreendentemente bom) enquanto ouvia os Nigerianos a falar sobre o fato de terem estudado em escolas católicas e de como por lá passavam o Ramadão. Prato principal era um arroz com pedaços de frango e muitas outras coisas pelo meio, fruta para sobremesa e por fim um café (que bom estava aquele café e que saudades tenho eu de um bom café). No fim, aqueles que conheço vieram ter comigo e agradeceram com uma alegria imensa ter jantado com eles. Eu ainda não estava bem a perceber e tive de perguntar, qual era o motivo de tanta alegria por terem um não-muçulmano a jantar com eles. Basicamente, coisas que estão escritas no Alcorão e que eu gostava de vos explicar mas que entretanto me esqueci. Mas tenho de vos contar que o espírito que paira no ar é de alegria, mas não em termos efusivos, é tudo muito pacifico, muito calmo. No entanto, houve algo que me saltou à vista. "Porque é que não há raparigas a jantar? Elas também são muçulmanas." eles responderam como se fosse óbvio para mim "Não, não .. elas não podem comer connosco. Mas, por acaso, ajudam a fazer o jantar."

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O Ramadão continua e todos os dias sou convidado a jantar com eles, mas infelizmente ainda não tive oportunidade para tal. Eles bem insistem, mas o meu problema é moral, mais que outra coisa qualquer. Eu expliquei-lhes, que cara tenho eu para partilhar comida com quem passou todo o dia sem comer e nem sequer água beber? Eu, que não falho as minhas refeições e que o fato de ter de esperar até as 7 da tarde já me faz estar a morrer de fome?

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Um dia decidi fazer Ramadão, somente para experienciar aquilo que tantos amigos estão a passar e para depois ir jantar com eles, não consegui e tive de beber água durante a tarde. Quando chegou às 7 da tarde, todos contentes lá me perguntaram "Então hoje jantas connosco não é?", respondi a verdade: "Desculpem mas depois de acordar de manhãzinha e passar o dia inteiro sem comer o que eu quero agora é um grandA hambúrguer e um gelado ainda maior. Já agora, não contem comigo para esta brincadeira do Ramadão, a probabilidade de eu desfalecer é enorme." Coisas de muçulmanos, para muçulmanos. Fiquei a perceber porque é que eles bem chegando àquelas horas parecem uns zombies a andar pela rua. O corpo fica fraco, fraco, fraco e com este calor sem beber água, ainda não percebi como é que nenhum ainda não desmaiou.

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Entretanto o meu amigo iraniano disse que não ligava nenhuma a isso, nem ele nem toda a sua familia que está no Irão.

E pronto, foi este o meu Ramadão. As fotos são de dias diferentes, quando chove o jantar é feito dentro de casa,  e foram enviadas por vários amigos.

Abraços!