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ondas suaves

Ondas Suaves não é nada mais que a tradução literal dos caracteres 宁波 (Ningbo). Uma pequena cidade costeira situada na província de Zhejiang, China.

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Ondas Suaves não é nada mais que a tradução literal dos caracteres 宁波 (Ningbo). Uma pequena cidade costeira situada na província de Zhejiang, China.

A chapada de luva branca - tardes de bola.

Bem sei que com este titulo estavam à espera de ver a foto de um chinês a dar uma chapada com uma luva branca a alguém, lamento, é só mesmo a expressão.

Confesso-vos que no primeiro mês havia um grupo que não me chamava nada à atenção, pior, era um grupo do qual pretendia não fomentar qualquer tipo de relação. Como é óbvio, existem ideias pré concebidas que nos fazem olhar para o outro de certa forma, mesmo sem o conhecer-mos. A ideia que trazia dos indonésios era de uma maneira geral, digamos má, vá. Primeiro a ideia física que tinha de um indonésio era completamente diferente do que vim a encontrar; segundo, o que sabia da Indonésia não passava do fato de serem o país com mais muçulmanos no mundo e do infeliz massacre em Timor. De alguma maneira, a minha mentalidade estava formatada para não gostar dos indonésios. Certamente que a visão que os portugueses têm relativamente à história timorense ajuda a tal.

O que mudou? Tudo. No meu quotidiano tenho uma coisa que não falho nem por nada, der por onde der, sextas ao final da tarde é para jogar à bola com os indonésios. Já me habituei a ser o único não-indonésio nas tardes de sexta, tardes em que se reúnem sempre mais de meia dúzia indonésios para desfrutar de umas horas de futebol (futsal).

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 [Foto tirada esta semana depois de mais uma tarde de futsal com os indonésios.]

Todo o carinho e amizade que fui recebendo deles é uma autêntica chapada às minhas ideias pré formatadas.

Como seria de esperar, nos primeiros tempos as conversas sobre a colonização portuguesa era um habitue daquelas tardes. Eu tentei sempre evitar essa conversa, mas não havia como escapar, as palavras que temos em comum derivadas dessa colonização, são sempre motivo para voltar à época dos descobrimentos. Dei-lhes a minha visão do assunto, falei o que sabia de Timor-Leste, trocámos opiniões e acima de tudo reforcei um pensamento que cada vez mais me ilumina nesta estadia pelo Oriente: as pessoas primeiro,  os Governos depois. 

Não posso deixar de agradecer a estes rapazes por me incluirem nestas tardes que eu sei serem de grande importânica para todos eles, pois é o único dia da semana que têm um tempinho para se reunirem, matar saudades uns dos outros e falar somente na sua língua nativa. E eu lá vou aprendendo indonésio aos poucos e poucos.

Palavras que temos em comum: bola-sapato-igreja-missa-roda-castanha ... entre muitas outras que agora não me recordo.

[Este texto foi escrito em Dezembro e ficou esquecido nos rascunhos, hoje decidi vasculhar a arca e publicar, agora com uma foto]

Abraços e boa Páscoa a todos!

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