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ondas suaves

Ondas Suaves não é nada mais que a tradução literal dos caracteres 宁波 (Ningbo). Uma pequena cidade costeira situada na província de Zhejiang, China.

ondas suaves

Ondas Suaves não é nada mais que a tradução literal dos caracteres 宁波 (Ningbo). Uma pequena cidade costeira situada na província de Zhejiang, China.

Mãe Rússia, o outro lado da barreira.

     Acompanho as notícias em Portugal e não são poucas as vezes que se fala da Rússia, parece que somos bombardeados com notícias que nos fazem pensar que existe um monstro do outro lado. Por isso mesmo, pareceu-me interessante saber o que eles, russos, pensam de tudo isto.   

     Foram mais de três horas de conversa com um grupo de 3 russos, dois rapazes e uma rapariga, sobre assuntos actuais, que por aqui não se discutem no dia-a-dia por uma questão de respeito. Três amigos, que vêm de três distintos locais da Rússia: um representante de Moscovo, um de Khabarouslc (fica no extremo oriental da Rússia, ali por cima da Coreia do Norte e bem perto da China) e um outro que vive precisamente no meio, em Kazan. Licenciados em áreas completamente diferentes e idades a rondar a minha (jovens portanto). Escolhidos a dedo, falámos abertamente e sem rodeios de tudo um pouco.

 O que se passa do outro lado da barreira?

 “Infelizmente, ninguém do exterior conseguirá perceber o que vai nas nossas mentes.”

As últimas notícias sobre a ameaça russa de usar armamento nuclear, se assim for necessário, foi recebida com espanto pelo grupo. “Armas nucleares? Seria impensável e se é verdade que o Governo russo disse isso [um dos russos interrompe e diz algo em russo ao que estava a falar e ele continua], pois parece que Putin disse mesmo isso, nesse caso penso que tudo não passa de uma jogada de bluff para meter medo ao Ocidente. As armas nucleares são o nosso único trunfo neste momento.”

Foi preciso começar a falar da Crimeia para o leite derramar, as opiniões divergiram e os ânimos exaltaram-se:

V:“Eu nem sabia que a Crimeia existia antes de tudo isto acontecer.”

R:“Se não sabias da Crimeia devias começar a ler mais sobre a história da Rússia. É verdade que agora estamos a sofrer por isso, mas tomar a Crimeia foi um restaurar da história. E para além disso, o povo da Crimeia votou e decidiu que queria voltar para a Rússia.”

K:“Sim, depois de lá estar o exército e dos ucranianos terem medo de sair à rua. Eu acho que as eleições foram ilegais… não podemos tirar uma parte de um país.”

      A conversa continuou e era bem visível a divergência de opiniões. Apesar de todos se rirem quando um deles contou uma anedota sobre o facto de terem ficado com a Crimeia. Saltei da Crimeia para a Ucrânia e perguntei-lhes pelos rebeldes.

“O meu irmão estava pronto para ir lutar pelos rebeldes.”

     Apesar do Governo negar, eles não têm dúvidas e foi geral o consenso de que a Rússia apoia os rebeldes na Ucrânia. Armamento, petróleo, dinheiro, provisões, tudo e mais alguma coisa. Mas porquê? Perguntei. Bem, a resposta a isso deu para mais uns minutos de pequenas zaragatas, mas lá chegaram ao consenso de que tudo não passa de uma forma de se defenderem da NATO. “ Nas nossas notícias a NATO é o inimigo, e nós temos medo.” Mas se tudo isso vale a pena ... não houve resposta.  “Existem milhares de pessoas a sofrer, não tem nenhum sentido.”

 

      “Sanções? As pessoas ficaram malucas, foi uma corrida aos supermercados, as pessoas compraram tudo.”

As sanções deitaram abaixo a economia russa, só em Moscovo o nível de vida é aceitável, no resto da Rússia as pessoas já não vivem tão bem e a situação começa a ficar alarmante, afirmaram.

       Então e o Putin?

Putin é maluco! Ele só quer ficar para a história. Presta demasiada atenção à política externa e esquecesse do povo.”

“Gostava que o Putin escolhesse alguém para o cargo que seguisse as suas pisadas. Precisamos de seguir no mesmo caminho a nível político.”

Gosto do seu carácter, é forte. Mas a verdade é que não me interessa para nada o Governo, vivo separado disso. Ele bem pode lá ficar toda a vida que a mim não me interessa. Os E.U.A falam sobre ele, mas esquecem-se do amigo israelita que também anda no poder faz muitos anos.”

Apesar das diferente opiniões sobre Putin, todos admitiram que os anteriores chefes de estado foram horríveis para a Rússia e que foi o Putin que conseguiu revitalizar a economia russa e melhorar a condição de vida das pessoas.

 

“Porquê seguir democracia? Temos de ser nós mesmos.”

     Foram várias as histórias que me contaram sobre as eleições e de como tudo não passa de uma fachada. Desde o amigo que preencheu todos os boletins que estavam e branco com a cruz em Putin, até ao pai que é obrigado a votar nele por trabalhar numa empresa pública.

“Sabemos que as eleições são falsas, mas não nos interessa porque aqueles em que votámos e vieram antes dele foram horríveis.”

Relativamente às ultimas notícias sobre o opositor de Putin que foi morto em Moscovo, houve uma «risada» geral. “Ninguém o conhecia antes disso acontecer, ele era completamente irrelevante.” Das duas uma, ou foi uma mensagem para alertar aqueles que realmente são fortes contra Putin, ou foi uma maneira de tentar destabilizar o Governo com acusações falsas.

      As relações com a U.E foram comentadas da seguinte forma:

“Porque é que precisamos da União Europeia? Eles também não têm dinheiro, temos é de nos virar para a Ásia.”

    

    A conversa foi longa mas tentei sintetizar da melhor maneira possível a longa conversa que tivemos entre amigos. Eles agradeceram-me o facto de vos querer mostrar as suas opiniões sobre o que se passa entre a Rússia e o Ocidente e ainda disseram que um dia teriam de visitar Lisboa (ouve-se por lá que é uma das cidades mais bonitas da Europa). 

Abraço!

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